O Judaísmo é uma religião de 613 mandamentos

O Judaísmo é uma religião de 613 mandamentos, não uma série de “nisto deves acreditar” e “nisto não deves acreditar”, mas de 613 leis divididas entre “isto deves fazer” e “isto não deves fazer”. Exige o cumprimento das 613 mitsvot, preceitos da Torá.

Se alguém vier e lhe perguntar: “Você é religioso?” hoje em dia encontraremos muitos judeus que responderão: “Posso não me manter casher, posso não guardar o Shabat, talvez não cumpra nenhuma das leis da Torá, mas sou judeu no coração.” Qual o significado desta declaração? É que judeus hoje, vivendo num mundo com outras influências dominantes – onde religião é definida por outros padrões que não os atos – estão se identificando como judeus “devotos”. Muito mais do que simples fé ou credo, quando um judeu fala sobre D’us, deve estar mais preocupado com atos.

Você é um judeu, em termos judaicos, significa: “Você cumpre a Torá e as mitsvot? Observa a Aliança feita há muito tempo no Sinai – na qual, conforme dizem nossos sábios, cada alma judaica de todas as gerações estava presente e persuadiram D’us a nos tornar o Seu povo através da declaração ‘Naassê ve Nishmá’, ‘faremos e [só então] entenderemos?'” Para o judeu, a revelação não foi um meio para que o homem visse a aparência de D’us. Ao contrário, foi a maneira que D’us usou para fazer os judeus saberem o que era importante para Ele através da revelação de Seu propósito, ao invés de Sua pessoa.

Ser um “judeu no coração” não é suficiente. A ênfase está nas ações, não em pensamentos; no corpo, não apenas na mente. Ter fé é fundamental, um judeu deve crer, sem dúvida. Entretanto, o propósito da crença em uma Divindade é assegurar que as mitsvot sejam cumpridas. A crença em D’us não é a mensagem, mas o meio. O objetivo não é D’us, mas uma vida de santidade, para a qual crença é simplesmente um pré-requisito. Em que deve um judeu acreditar? Deve tratar primeiro das ações, porque estabelecemos que para os judeus esta é a prioridade número 1.

A Fé Judaica

Quando se trata de contemplar a existência de D’us, a pessoa deve antes de mais nada perceber que seres humanos finitos não conseguem apreender a ‘mente’ e ‘pensamentos’ do Criador”

A pessoa que observar sua própria mão, a princípio, pensará nela como parte de sua anatomia, algo que é capaz de realizar uma variedade de trabalhos manuais. Se pensar melhor, verá que a mão é constituída de muitas partes, como dedos e músculos que têm sua função específica, bem como funções que são realizadas em conjunto com outras partes, possibilitando que a mão realize tarefas mais delicadas, como escrever, por exemplo.

Em um nível mais profundo, há nervos e vasos que conectam a mão e os dedos ao cérebro e ao coração, que influenciam a qualidade da escrita, na medida em que expressa as idéias e sentimentos da pessoa que escreve, revelando até mesmo aspectos ocultos de seu caráter, como bem sabem os peritos em grafologia.

Poder-se-ia estender ainda mais esta análise, até o nível dos átomos e elétrons, etc. Dessa maneira, pode-se falar da mão humana e suas funções em níveis diferentes, desde o mais simples ao mais complexo, que não são mutualmente incompatíveis, desde que cada parte realize suas funções de maneira adequada e integral.

Se há tais complexidades, gradações e níveis no mundo físico, ainda que com um fator subjacente unificador, eles certamente estão presentes no mundo do metafísico e do espiritual.

Quando se trata de contemplar a existência de D’us, a pessoa deve antes de mais nada perceber que seres humanos finitos (mesmo o mais sábio dos homens) não conseguem apreender a “mente” e “pensamentos” do Criador, cujos atributos são essencialmente tão incompreensíveis quanto Ele Mesmo – exceto naquilo que Ele desejou revelar na Torá. Porém aquilo que é revelado na Torá é tão claro como a luz, que é uma das razões pelas quais a Torá é chamada Torá Or [Torá de luz]; de fato grande parte disso tem se tornado senso comum.

Ora, no que concerne ao ser humano, a Torá nos diz que ela tem evoluído pelo projeto do Criador em uma variedade de componentes, em vez daquele uniforme bloco massivo – assim como o corpo humano consiste de uma variedade de órgãos e partes, cada um com seu próprio objetivo e função, nada sendo inútil ou supérfluo. Pois, como dizem nossos Sábios, “O Criador não criou nada que fosse inútil neste mundo.”

É claro, a pessoa poderia ficar imaginando por que D’us escolheu uma nação, de toda a humanidade, para dar-lhe Sua Torá e mitsvot, designando-a como “Um reino de cohanim (servos de D’us) e uma nação sagrada”? ou ainda, por que Ele permite tal variedade de crenças e práticas religiosas, algumas das quais em direto conflito com Sua ordem manifesta? Mas isso seria como perguntar: por que o corpo humano consiste de uma variedade de diferentes partes, desde o cérebro e coração até a sola dos pés? Ou ainda, por que D’us permite defeitos em um organismo que de outra forma seria perfeito?

Quanto a questão, tendo em vista as várias religiões e credos do mundo, cada qual reivindicando ser a verdade e superior a todos os outros, como um judeu pode ter certeza de que sua religião é a verdadeira?

Esta e outras questões relacionadas já foram tratadas extensamente pelo famoso clássico do século XII, o Livro de Kuzari, pelo grande filósofo Rabi Yehudá Halevi, que pode ser encontrado em inglês. Está bem documentado e baseado em provas capazes de enfrentar o escrutínio do método científico e senso comum.

Um princípio científico básico é que a primeira coisa a se fazer é ter certeza dos fatos, independentemente se parecem lógicos ou não, e então tentar encontrar a explicação correta. Isso foi expresso na máxima que conhecimento é derivado da realidade, e não vice-versa. Se de acordo com o raciocínio da pessoa a realidade fosse diferente, o erro estaria com o raciocínio, não com a realidade.

Um princípio básico mais desenvolvido do método científico é que a veracidade do testemunho é obrigatória quando ele é baseado na mais vasta gama de testemunhas e observações, substanciadas, além disso, pela experiência sob as mais amplas condições.

Nós judeus estamos certos de que ‘Moshê é verdadeiro e sua Torá é verdadeira’, pelas premissas dos eventos históricos do Êxodo e da Revelação no Sinai, que foram testemunhados e vividos por 600.000 homens adultos”

Como foi enfatizado no Kuzari, e em outras fontes através dos tempos, nós judeus estamos certos de que “Moshê é verdadeiro e sua Torá é verdadeira”, pelas premissas dos eventos históricos do Êxodo e da Revelação no Sinai, que foram testemunhados e vividos por 600.000 homens adultos (sem contar as mulheres e crianças).

Aquilo que nossos ancestrais testemunharam e viveram, transmitiram a seus filhos e aos filhos de seus filhos, de geração em geração até os dias de hoje, pois nunca houve uma brecha ou interrupção em nossa história e tradição, desde o tempo de nosso primeiro Patriarca Avraham.

Assim, idêntica tradição nos foi transmitida por milhões de judeus de todas as esferas da vida, e corroborada pelo próprio modo de vida e comprometimento com as mesmas mitsvot da mesma Torá (o mesmo Shabat, o mesmo Tefilin, Mezuzá, etc.) de geração a geração, em países diferentes e sob condições diversas. Embora outros fatores que geralmente se associam com a preservação de outras nações e suas culturas étnicas – tais como território, independência política, idioma, modo de vestir, etc. – tenham mudado na vida judaica de tempos em tempos e de lugares para lugares, a Torá e mitsvot não mudaram na vida de todos os judeus. Este fato que corre como uma linha de ouro por toda nossa História Judaica não apenas confirma sem a menor sombra de dúvida a autenticidade de nossa Torá e mitsvot, como também demonstra qual é verdadeiramente o fator vital da constância que nos tem preservado como judeus sob todos os tipos de circunstâncias e crises, a saber, a Torá e mitsvot…

Nenhuma outra religião, sem exceção, mesmo aquelas cujos seguidores superam em número nosso povo judeu, pode reivindicar tal prova de autenticidade.

Pois se traçarmos uma linha até a origem dessas religiões, invariavelmente encontraremos que cada uma delas, sem exceção, está baseada num único fundador ou pequeno grupo de fundadores.

Conseqüentemente, apesar da multidão de seguidores, o cético poderia questionar a veracidade da revelação reivindicada pelo fundador original, se foi uma revelação profética genuína como afirmam ou talvez uma alucinação, e, no caso de um pequeno grupo de fundadores, se houve uma experiência genuína compartilhada, ou talvez uma conspiração, ou coisa semelhante.

Porém, é claro que estas dúvidas não se aplicam a respeito da Torá, especialmente porque as outras grandes religiões admitem claramente sua dependência fundamental em nosso Tanach (o assim chamado “Antigo Testamento”), com todos os eventos lá narrados, incluindo o Êxodo e a Revelação no Sinai – nossa própria prova enfática (caso provas fossem necessárias) de que “Moshê é verdadeiro e sua Torá é verdadeira.”

Finalmente, há ainda um outro aspecto importante, que é também uma regra aceita pela ciência, a saber, confiar na autoridade de um perito reconhecido – uma regra fielmente seguida mesmo pela medicina, quando diretamente relacionada com saúde e vida; certamente não para dispensar, ou agir de forma contrária à opinião do especialista.

Os Dez Mandamentos

Quando se menciona Assêret Hadibrot, mais comumente conhecida como os Dez Mandamentos, algumas pessoas possuem uma falsa impressão de que existem Dez Mandamentos que foram separados como sendo os mais importantes da Torá. Mas na verdade a tradução correta de Assêret Hadibrot é “Dez Falas” ou “Dez Ditos”, sendo que estes são dez princípios que incluem toda a Torá e seus 613 preceitos, inclusive estes dez.

As próprias letras de Assêret Hadibrot demonstram este fato.
Os Dez Mandamentos são escritos com 620 letras significando que D-us deu no Sinai os Dez Mandamentos que abrangem os 613 preceitos e as sete Leis de Nôach; 613 com 7 somam 620.

É interessante notar que a soma dos números 6, 1 e 3, de 613 totaliza dez (Mandamentos), mostrando também que as 613 mitsvot incluem os Dez Mandamentos.

  1. Eu sou o Senhor, teu D-us, que te libertou da terra do Egito, da casa da escravidão.
  2. Não terás outros deuses diante da Minha presença. Não farás para ti imagem de escultura nem nada semelhante ao que há nos céus acima, ou na terra embaixo, ou na água embaixo da terra. Não te prostarás diante deles nem os servirás; pois Eu Sou o Senhor, teu D-us – um D-us zeloso, que visita as inqüidades dos pais nos filhos, até a terceira e quarta gerações dos que me aborrecem. Mas mostrarei bondade para centenas de gerações àqueles que Me amarem e cumprirem Meus mandamentos.
  3. Não jurarás pelo nome do Senhor, teu D-us, em juramento vão; pois D-us não absolverá ninguém que use Seu nome em juramento vão.
  4. Lembra-te do dia do Shabat, para santificá-lo. Por seis dias deverás trabalhar e cumprir todas tuas tarefas, mas o sétimo dia é Shabat do teu D-us; não deves fazer nenhum trabalho – tu, teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, teu animal, e o peregrino que estiver dentro de teus portões – pois em seis dias D-us fez os céus, a terra, o mar e tudo que neles está e Ele descansou no sétimo dia. Por isso abençoou o dia de Shabat e o santificou.
  5. Honrarás teu pai e tua mãe, para que se prolonguem teus dias sobre a terra.
  6. Não matarás.
  7. Não adulterarás.
  8. Não furtaás.
  9. Não darás falso testemunho contra teu próximo.
  10. Não cobiçarás a casa de teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, e seu servo, e sua serva, e seu boi, e seu asno, e tudo que seja de teu próximo.

Moshê Maimônides (1135-1204) é reconhecido como o mais famoso dos comentaristas judeus. Escritor aclamado, estimado filósofo, médico de renome e mestre talmúdico – este é seu legado. Sua obra magna, Mishnê Torá, é considerada até hoje como a mais conceituada e completa codificação da lei judaica, na qual explica nos fundamentos da crença judaica que a Torá é verdadeira.
Se uma pessoa negar qualquer preceito ou conceito da Torá é como se ele estivesse negando a Torá inteira, pois a Torá é uma unidade, uma só essência. Se uma pessoa desconhece algum princípio da Torá, ele é simplesmente considerado ignorante. Mas se alguém é ignorante em um dos Treze Princípios de Fé de Maimônides, então ele deixou de conhecer o que é judaísmo.

Os Treze Princípios

  1. Creio com plena fé que D-us é o Criador de todas as criaturas e as dirige. Só Ele fez, faz e fará tudo.

  2. Creio com plena fé que o Criador é Único. Não há unicidade igual à d’Ele. Sá ele é nosso D-us; Ele sempre existiu, existe e existirá.

  3. Creio com plena fé que o Criador não é corpo. Conceitos físicos não se aplicam a Ele. Não há nada que se assemelhe a Ele.

  4. Creio com plena fé que o Criador é o primeiro e o último.

  5. Creio com plena fé que é adequado orar somente ao Criador. Não se deve rezar para ninguém ou nada mais.

  6. Creio com plena fé que todas as palavras dos profetas são autênticas.

  7. Creio com plena fé que a profecia de Moshê Rabenu é verdadeira. Ele foi o mais importante de todos os profetas, antes e depois dele.

  8. Creio com plena fé que a Torá que se encontra em nosso poder foi dada a Moshê Rabenu.

  9. Creio com plena fé que esta Torá não será alterada e que nunca haverá outra dada pelo Criador.

  10. Creio com plena fé que O Criador conhece todos os atos e pensamentos do ser humano.

  11. Creio com plena fé que o Criador recompensa aqueles que cumprem Seus preceitos e pune quem os transgride.

  12. Creio com plena fé na vinda de Mashiach. Mesmo que demore, esperarei por sua vinda a cada dia.

  13. Creio com plena fé na Ressureição dos Mortos que ocorrerá quando for do agrado do Ciador.

Ao formular os Treze Princípios de Fé, Maimônides percorreu a literatura judaica sagrada, estabelecendo os principais pontos de afirmação e crença no D-us único e em Sua revelação a Moshê, o líder de nosso povo.

A Torá original foi transmitida por D-us a Moshê (Moisés), após ter permanecido Moshê por 40 dias e 40 noites com D-us, sem comer, dormir ou beber. Esta situação levou-o a um estado comparado aos anjos; totalmente desligado de necessidades físicas. A Torá foi transmitida a Moshê, diretamente de D-us e ensinada ao povo. Seu conteúdo foi compilado na íntegra, para que assim ele jamais fosse esquecido e permanecesse imutável, mesmo com o passamento dos sábios que a transmitiram, de geração a geração.

As Dez Tribos foram exiladas durante a Era do Primeiro Templo – aproximadamente há 2500 anos, e estão separadas do restante do judaísmo desde então. Mas ao final, serão redimidas, e juntar-se-ão ao restante do judaísmo – na era de Mashiach.

Este ensaio dirige-se às várias opiniões no Talmud a respeito do destino das Dez Tribos, e a grande dúvida: As Dez Tribos realmente voltarão?

Mais de 1000 anos antes das Dez Tribos serem exiladas, o amado filho de Yaacov – Yossef, foi raptado pelos irmãos – e vendido como escravo. Finalmente, após muitos anos de separação, reuniu-se novamente com seu pai e irmãos. A Torá descreve como Yossef revelou sua identidade a seus irmãos: “Yossef não conseguiu se refrear… e ele chorou em alta voz” (Bereshit 45:1-2).

Este fenômeno se repetiria em escala muito maior – com os filhos de Yossef juntamente com outras tribos.

Yossef representa as Dez Tribos, pois a capital das Dez Tribos era Monte Efraim (Yirmiyáhu 31:5), e Efraim era filho de Yossef.

Esta reunião será triste: “Com choro eles virão, e com misericórdia eu os levarei” (Yirmiyáhu 31:8).

O profeta Yechezkel (37:19-22) fala sobre esta reunião:

“Estou levando o bastão de Yossef, que está na mão de Efraim, e as tribos de Israel – seus amigos, e os colocarei no bastão de Yehudá, e os transformarei em um só bastão, e serão um na minha mão… Estou levando os filhos de Israel das nações às quais eles foram, e os reunirei de toda parte e os trarei à terra deles. E os transformarei em uma só nação, na terra, nas montanhas de Israel. E um rei reinará sobre eles, e não serão mais duas nações, e não mais se separarão em dois reinos.”; i.e., até agora, tem havido separação dentro do judaísmo. A princípio, na forma de dois reinos e mais tarde foram completamente separados. Quando Mashiach chegar, D’us nos transformará “em uma só nação e não mais seremos divididos em duas nações.”

Embora aparentemente seja claro que as Dez tribos retornarão, quando consultamos estas fontes, vemos que não é tão simples como parece.

Citemos o Mishná em Sanhedrin (110b):

“As Dez Tribos não retornarão como foi dito (Nitsavim 29:27) ‘E Ele os jogou a uma terra diferente como este dia’. Assim como o dia passa e jamais voltará, eles também serão exilados para nunca mais voltarem”. Estas são as palavras de Rabi Akiva.

“Rabi Eliezer disse: ‘Assim como o dia é seguido pela escuridão, e a luz mais tarde retorna, assim também ficará ‘escuro’ para as Dez Tribos. D’us por fim os tirará de suas trevas.'”

Dessa maneira, temos duas opiniões a respeito do destino das Dez Tribos. O Talmud menciona um ponto de vista adicional, que afirma que o destino das Tribos depende de seu comportamento. “Rabi Shimon ben Yehudá de Kfar Ako diz em nome de Rabi Shimon: ‘Se seu comportamento continuar da maneira que é hoje (este dia) eles não retornarão. Se eles se arrependerem, na certa retornarão.'”

Comecemos com uma análise da opinião de Rabi Akiva, de que as Dez Tribos ficarão perdidas para sempre. Tal opinião exige uma explicação: se o judaísmo consiste inteiramente de duas tribos remanescentes (Yehudá e Binyamin), como podem os versículos referirem-se à união da “Árvore de Yehudá” e da Árvore de Yossef”.

Além disso, o profeta Yechezkel falou em dividir a Terra de Israel entre 12 Tribos.

Abarbanel explica (Yeshuot Meshicho 1:4):

Na época de Rabi Akiva, as Dez Tribos tinham estado perdidas por mais de 600 anos, e não havia a mínima pista sobre se ainda existiam.

Considere: Se as Dez Tribos tivessem ainda permanecido leais ao judaísmo, por que não teriam enviado pelo menos um mensageiro a Jerusalém durante a Era do Segundo Templo – para verificar os rumores de que os judeus tinham retornado ao seu país e reconstruído o Templo?

Este argumento convenceu Rabi Akiva de que as Dez Tribos devem ter se assimilado às nações pagãs e não seriam mais consideradas como parte do povo judeu.

E a respeito das profecias que implicam que todas as tribos existirão na Era Messiânica, Rabi Akiva poderia argumentar que, enquanto a maioria das Dez Tribos foi exilada e jamais retornará, algumas podem ter escapado e hoje vivem entre nós. Dessa maneira, teremos representantes de todas as Tribos Perdidas, e as profecias serão realizadas através deles.

Após discutir a opinião de Rabi Akiva, discutiremos o ponto de vista oposto de Rabi Eliezer (que é aceito pela lei judaica) – de que as Dez Tribos retornarão.

O Talmud explica que esta opinião é baseada no versículo (Yeshayáhu 27:13) “e será naquele dia, um grande shofar será tocado, e os desgarrados virão da terra de Ashur” – este versículo refere-se às Dez Tribos que foram exiladas para a terra de Ashur (Assíria).

Resta um ponto ainda a ser esclarecido: Amos (5:1-2) disse em referência às Dez Tribos: “Escute isso, sobre o qual estou pranteando: A Virgem de Israel caiu, e jamais se levantará”. Como Rabi Eliezer explicaria as palavras “e jamais se levantará?”

Uma explicação possível é que “não se levantará” como uma entidade independente, mas se levantará como uma entidade totalmente dependente do reino de Yehudá.

O Midrash nos diz que as Dez Tribos foram exiladas em três locais: algumas foram exiladas para o país atrás do Rio Sambation. Outro grupo foi exilado para uma terra “distante” atrás do Rio (este país tinha o dobro da distância para Israel que o primeiro país); o terceiro grupo foi “engolido em Rabesla).

O Midrash descreve então o modo pelo qual alguns do Terceiro Grupo, que foram engolidos, retornarão:

“D’us lhes fará túneis subterrâneos e viajarão através deles, até chegarem ao Monte das Oliveiras em Jerusalém. D’us estará no Monte fazendo com que se parta, e as Dez Tribos emergirão do seu interior.” (Yalkut Shimoni, Yeshayáhu 469).

Obviamente, o Midrash não deve ser entendido ao pé-da-letra, ao contrário, está se referindo ao exílio espiritual que este grupo agora suporta, e a transformação espiritual pela qual passarão quando Mashaich chegar:

As Dez Tribos foram levadas ao exílio e “engolidas”, i.e., esqueceram-se totalmente de sua identidade judaica, como se tivessem sido “engolidos” por alguma força externa. Sua energia permanece apenas na forma potencial. Quando Mashiach vier, D’us os levará través de “túneis”, simbolizando o processo de refinamento, e os levará até o Monte das Oliveiras – uma montanha que fora originalmente dedicada ao cultivo de frutos – um símbolo de energia potencial. Finalmente a montanha se partirá, e eles emergirão – sua identidade judaica re-emergirá do atual estado de “potencial” e será plenamente realizada.

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